Reserva Chico Mendes
Atlas de Cobertura do Solo
Prancha de referência (esquerda) e classificação de cobertura do solo de 1985 (direita). QGIS · MapBiomas Col. 8 · SIRGAS 2000 / UTM · pronta para impressão em A3.
Desafio
Trinta e sete anos de mudança de cobertura do solo dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes nunca haviam sido visualizados como um atlas temporal estruturado. A reserva, criada em 1990 após o assassinato de Chico Mendes, situa-se na tríplice fronteira Brasil–Peru–Bolívia, uma das paisagens mais biodiversas e politicamente sensíveis da Amazônia. Compreender como o desmatamento ilegal, a construção de estradas e a expansão agrícola haviam alterado a cobertura do solo interna da reserva exigiu integrar vários anos de dados derivados de satélite em uma narrativa legível e pronta para publicação.
Fontes de dados
- MapBiomas Coleção 8 — classificações de cobertura do solo, 1985–2022
- Google Earth Engine — computação em nuvem e análise de bandas
- ANA, FUNAI, IBGE, MMA — hidrografia, territórios indígenas, limites administrativos
- PRODES — incrementos anuais de desmatamento como camada de verificação
Metodologia
- Baixei os rasters do MapBiomas Coleção 8 para o limite da RESEX Chico Mendes em seis intervalos: 1985, 1995, 2005, 2015, 2020 e 2022.
- Reclassifiquei as classes de cobertura do solo em um esquema de cinco categorias: floresta nativa, vegetação secundária, agricultura/pastagem, corpos d'água e outros.
- Calculei estatísticas de área por classe e por ano no Google Earth Engine.
- Projetei as pranchas cartográficas no QGIS com um esquema de cores consistente em todos os intervalos.
- Preparei um atlas narrativo com rolagem, combinando quadros de mapa com texto interpretativo.
- Verifiquei a mudança de 2020–2022 com os polígonos anuais de desmatamento do PRODES.
Principais achados
- O interior da RESEX manteve-se notavelmente bem entre 1985 e 2005 — o limite da reserva funcionou como uma barreira eficaz contra o desmatamento.
- Entre 2005 e 2022, o corredor da BR-364 e as estradas secundárias a leste da reserva geraram padrões de desmatamento em "espinha de peixe" que alcançaram a zona de amortecimento da reserva.
- O flanco leste mostra os primeiros sinais de avanço agrícola interno por volta de 2022.
- A recuperação de vegetação secundária é visível em algumas áreas antes desmatadas, sugerindo manejo agroextrativista parcial.
Entregáveis
- 6 pranchas cartográficas, QGIS, prontas para impressão em A3, SIRGAS 2000 / UTM
- Tabela-resumo estatística, área por classe e por ano
- Atlas web com rolagem e progressão interativa de quadros
- Pacote de dados-fonte com notas metodológicas
Ferramentas
Resultado
Apresentado como monografia de graduação na UFAC (2024). O atlas tornou-se a primeira análise temporal sistemática da cobertura do solo da RESEX Chico Mendes nessa resolução. A versão web com rolagem está incorporada ao portfólio da Forestana —veja-a em ação na página inicial.