Trabalhar com dados de satélite na Amazônia não é o mesmo que trabalhar com eles em outros lugares. A cobertura persistente de nuvens em grandes porções da Amazônia ocidental torna não confiáveis as imagens de data única. Analistas que não conhecem as estratégias de composição de Landsat/Sentinel para regiões de alta pluviosidade rotineiramente classificam mal as condições do dossel ou deixam passar eventos de desmatamento sob nuvens sazonais.
As bases de monitoramento florestal do Brasil também são distintas. O PRODES, o programa de mapeamento de desmatamento do INPE, usa data de corte, lógica de classificação e formato de polígono específicos, que diferem dos produtos globais. O MapBiomas usa uma classificação baseada em Landsat treinada para a cobertura do solo brasileira, com convenções de legenda específicas de cada coleção que precisam ser compreendidas para interpretar os resultados corretamente. O SICAR, o cadastro ambiental rural, exige familiaridade com o Código Florestal brasileiro e com os fluxos de regularização que ele sustenta.
Os limites de territórios indígenas da FUNAI, a hidrografia da ANA e os dados administrativos do IBGE são camadas de contexto essenciais que frequentemente estão desatualizadas, sobrepostas ou formatadas de modo inconsistente. Saber como usá-las — e quando não confiar nelas — exige experiência de campo.
Estou sediada no Acre, na Amazônia ocidental, no ponto em que Brasil, Peru e Bolívia se encontram. A Reserva Extrativista Chico Mendes, três territórios indígenas e várias unidades de conservação estão dentro ou ao lado da área em que mais atuo. Essa especificidade geográfica não é incidental — ela orienta cada decisão metodológica que tomo.
Bases de dados específicas do Brasil com que trabalho diariamente
MapBiomas (Coleção 8) · incrementos anuais de desmatamento do PRODES/INPE · cadastro ambiental rural SICAR · polígonos de territórios indígenas da FUNAI · hidrografia da ANA (bacias com codificação de Otto) · setores censitários e limites administrativos do IBGE · limites de unidades de conservação do MMA · arquivos espaciais de CAR/PRA
Vantagem de localização
Sediada na tríplice fronteira (Acre, Brasil), trabalho dentro das paisagens que analiso. Trabalho de campo, conhecimento institucional local e diálogo em português com produtores, comunidades e órgãos fazem parte de cada projeto.